teenager90s
Nothing was ever in tune. People just blindly grabbed at whatever there was: communism, health foods, zen, surfing, ballet, hypnotism, group encounters, orgies, biking, herbs, Catholicism, weight-lifting, travel, withdrawal, vegetarianism, India, painting, writing, sculpting, composing, conducting, backpacking, yoga, copulating, gambling, drinking, hanging around, frozen yogurt, Beethoven, Back, Buddha, Christ, TM, H, carrot juice, suicide, handmade suits, jet travel, New York City, and then it all evaporated and fell apart. People had to find things to do while waiting to die. I guess it was nice to have a choice.
Charles Bukowski (via feellng)
autografia
Ele me mandou ir, mas eu fiquei. Fiquei porque os olhos dele imploravam por colo e sua voz havia tremido enquanto me mandava sair. Fiquei por ter notado o quanto ele estava apavorado, por conhecê-lo melhor que ele mesmo e saber o quanto era cabeça dura e odiava admitir que precisava de ajuda. Fiquei porque eu aceitava suas fraquezas e estaria ao seu lado para enfrentar seus medos. Eu fiquei por ele ser importante pra mim e, consequentemente, o contrariaria quantas vezes fossem necessárias para não deixá-lo sozinho. E algo me diz que ele faria o mesmo por mim.
Anonymous             (via autografia)
distanciarei
A peculiaridade da maioria das coisas que consideramos frágeis é o modo como elas são, na verdade, fortes. Havia truques que fazíamos com ovos, quando crianças, para demonstrar que eles são, apesar de não nos darmos conta disso, pequenos salões de mármore capazes de suportar grandes pressões, e muitos dizem que o bater de asas de uma borboleta no lugar certo pode criar um furacão do outro lado de um oceano. Corações podem ser partidos, mas o coração é o mais forte dos músculos, capaz de pulsar durante toda a vida, setenta vezes por minuto, e não falhar quase nunca. Até os sonhos, que são as coisas mais intangíveis e delicadas, podem se mostrar incrivelmente difíceis de matar.
Neil Gaiman. (via distanciarei)
eucaliptas
Tô ansiosa.
Quero que o dia termine logo, assim como quero que o tempo passe devagar pra que eu olhe de novo o céu se misturando em cores infinitas no quase fim de um horizonte vazio. Quero acordar logo amanhã, mas anseio dormir por várias noites ininterruptas. Tô ansiosa pra que chegue o fim do mês, mas quero voltar pra semana passada. Tenho vontade de vomitar borboletas cansadas de voar dentro de mim, só pra ver elas voarem pelo mundo afora pra engoli-las de novo. E cuspir amor da janela do décimo segundo andar em quem passa apressado e sombrio lá embaixo. Queria colorir paredes e pintá-las de preto depois, só pra jorrar cores e sabores nelas outra vez. Eu roo todas as minhas unhas porque não aguento esperar que o tic-tac do relógio soe mais rápido. Então eu tiro as pilhas dele e vejo o universo se congelar ao meu redor. Gosto disso. Gosto da sensação de que, mesmo que o tempo não pare pra eles, eu paro o tempo pra mim. E vivo nele o quanto quero e preciso, até voltar a folhear o calendário ultrapassado e comprar pilhas de pilhas novas. Eu tenho a ansiedade de ver um futuro brilhante querendo viver o agora. Queria que a miséria acabasse, pessoas amassem, árvores reinassem… Tô ansiosa pra mudar o mundo enquanto ouço umas músicas cafonas no meu sofá porque mal consigo esperar que a minha lasanha fique pronta. Queria que o microondas apitasse logo, mas também queria sair pelas ruas procurando algo totalmente novo que eu sei que não existe, mas tô ansiosa pra que exista algum dia. Não paro pra colocar virgulas ou ler o que escrevo porque me sinto ansiosa pra colocar um ponto final e começar de novo. Ou melhor: continuar de novo. Eu chupo um sorvete esperando a próxima vez que passarei pela sorveteria do bairro e repetirei o sabor. Eu fico ansiosa se vejo algo que me lembra alguém e compro pra presenteá-lo. Não me importo se datas comemorativas vão demorar a chegar. Eu sinto vontade e faço. Porque a urgência de ser o agora não apaga a fogueira que mantenho acesa pra ser lembrada no depois. Sinto vontade de correr em montanhas, mas vejo o resto do mundo caminhando curvado em planícies chatas. Não tem quem sente junto à mim e admita que tudo passa rápido demais, mas o demais às vezes não é tanto assim. Daí dói.
Eu sofro sendo estupidamente ansiosa pra não sofrer por não esperar nada da vida.
Capitule (via eucaliptas)
eucaliptas
Não gostava de olhar para os lados, só para frente. Algumas vezes só por curiosidade, olhava. Olhava porque sabia que não tinha ninguém comigo, e no fundo dava os ombros e falava que gostava de estar sozinha, mas era mentira. A gente diz que ama a solidão porque não temos outra opção. Não temos como escolher. Não temos quem chamar de amigo ou amor. Às vezes eu gostaria de olhar para os lados e enxergar amigos. Alguém que me ligasse de madrugada, atrapalhasse o meu sono só para dizer que não consegue parar de pensar em mim.
Os porquês de Amélia Roswell.  (via eucaliptas)
eucaliptas
Estava no meu quarto e tinha bebido muito mais que o de costume, acendendo um cigarro no outro, pensando nas garotas e na cidade e nos empregos e nos anos que ainda viriam. Olhando para o devir, eu gostava muito pouco do que via. Eu não era um misantropo ou um misógino, mas gostava de estar sozinho. Era bom estar solitário num lugarzinho, sentado, fumando e bebendo. Sempre tinha sido uma boa companhia para mim mesmo.
Charles Bukowski.  
eucaliptas
Já me perguntaram algumas vezes: o que eu faço? E eu digo: não faz nada. Não precisa se montar, decorar um texto, falar pausadamente na frente do espelho, ensaiar a cena, viajar em busca da palavra perfeita. A gente tem que ser a gente. Eu tenho que ser eu. Você tem que ser você. Por mais estranho, maluco, curioso e engraçado que isso seja.
Clarissa Corrêa